INTERVIEW
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Vera
Morgado

Vera
Morgado é acompanhante independente e conta aqui a sua
vivência como escort e como mulher ao longo destes últimos
anos. Deixa-nos também a sua impressão sobre o
sector e forma de estar nele. Uma entrevista para pensar...
PRAZER
SUBLLIME - Já é acompanhante há algum
tempo. Como tem sido a sua evolução ao longo dos
anos dentro do sector não só como escort mas também
como mulher? De que modo a Vera Morgado acompanhante e a Vera
Morgado mulher se encontram?
VERA
MORGADO - Bem, de facto sou acompanhante há algum
tempo, não muito. Desde 2005. Comecei por razões
meramente financeiras. Fi-lo de forma não planeada, sem
conhecimento do sector, como fazer e agir com os clientes. No
entanto, a nossa vivência e poder de observação
permitem que ultrapassemos certas situações, que
à priori poderiam parecer muito difíceis.
À medida que fui ganhando experiência
com a actividade e melhor relacionamento com os clientes, achei
que poderia usufruir não só a nível monetário,
como também de prazer físico. Aquilo que tinha
interiorizado como um estigma, de que a acompanhante não
sentia qualquer prazer no desempenho da sua função
nuclear, foi-se desvanecendo à medida que me apercebia
que tinha muito prazer com muitos dos meus clientes. Isso proporcionou
uma desmistificação desse preconceito. Esse entendimento
fez com que mudasse de atitude face à actividade em si
e na forma como fui melhorando o atendimento dos clientes.
Houve assim uma evolução positiva,
de facto, pois o meu atendimento tornou-se mais personalizado,
com maior entrega, cumplicidade e autenticidade. Geram-se laços
afectivos de facto, pelo menos com os clientes mais regulares
e com quem sinto maiores afinidades. Por outro lado, vi-me na
obrigação de investigar sobre matérias
relacionadas com relações humanas duma forma geral.
Só assim podemos ter consciência profunda deste
trabalho, pois envolve vertentes muito complexas e subjectivas
do ser humano. Consequentemente, a minha evolução
como mulher tem andado em paralelo com a evolução
como escort.
E, sim, a Vera mulher ou a Vera escort
são uma e a mesma pessoa. Sou genuína, não
tenho de fingir, até porque não dependo de nenhum
cliente em particular e só atendo quem eu decidir atender!
Não faço sacrifícios. Se fizesse, poria
em risco a qualidade do serviço que presto. E, tento
ser sempre muito profissional. É o mínimo que
os clientes merecem, dado que também escolheram a nossa
companhia e isso tem de ser compensado por nós, escorts.
PS
- Temos a mulher perfeitamente integrada dentro da sociedade,
com família, amigos, etc e a mulher acompanhante. Existem
diferenças entre as duas, encarna uma personagem ou a
Vera Morgado faz parte integrante de si e vice-versa?
VM -
Sim, de facto tenho uma profissão principal que não
só a de escort. Tenho família, amigos, colegas
de trabalho, apesar de viver sozinha. Estou realmente integrada
na sociedade, na sua forma mais tradicional, emprego fixo “reconhecido”
como válido para a sociedade, portanto. Essa é
a parte visível e aceite. Depois sou escort, sendo um
aspecto não exposto perante a sociedade em geral, sob
pena de ficar sem família, amigos, emprego e estigmatizada
para o resto da vida.
A Vera Morgado é uma única
mulher, mas com diversas actividades, facetas, vertentes. Como
todos nós. Ninguém é apenas uma coisa ou
outra. Somos um “produto” resultante de diferentes
factores, em constante evolução e aprendizagem.
Construímos e reconstruímos diariamente a realidade,
segundo a percepção que vamos tendo dela.
O que faço é muito
simples. Quando estou no meu emprego”oficial”, tento
fazê-lo da melhor forma que sei, assumindo a postura adequada
à função que desempenho. O mesmo acontece
quando faço o trabalho de escort. Não só
com muito profissionalismo, mas também com o meu cunho
pessoal, e, esse é só meu. Qualquer mulher que
trabalha também é dona de casa, esposa (quando
é caso disso), mãe… e não é
por isso que tem de encarnar personagens ou fingir!
Logo, sou eu própria a exercer
uma actividade com certas especificidades, nomeadamente o recurso
ao próprio corpo, mas não só. Isso não
faz de mim uma mulher menos autêntica ou genuína!
PS
- Onde se enquadra a Vera Morgado quer em temos profissionais
quer em tipo de clientes?
VM
- Pois, lá está… quando iniciei a actividade
nem sequer tinha consciência da forma como me enquadrava
no sector. Foi tudo muito amador, empírico. Comecei a
ver sites, cheguei a ter o meu próprio site e fui ganhando
uma certa sensibilização e familiarização
com o sector. Cheguei à conclusão que teria de
me focar num target e definir o meu posicionamento no sector.
Defini aquilo que se podem chamar de variáveis estratégicas
(serviço/preço/comunicação/localização)
a partir do posicionamento que pretendia. Assim, estou enquadrada
no que se chama vulgarmente de “acompanhantes de luxo”.
Este enquadramento é, no entanto
fundamentado por todo um background que encerro, quer a nível
de formação académica (superior), quer
de formação de base, que complementados com alguns
dotes físicos e com o facto de desempenhar esta função
com elevada performance (boa amante mesmo) porque assumo plenamente
que gosto de sexo.
Claro que estes factores exigem um
plafond mínimo de preços, pelo que os meus clientes
são cavalheiros com poder aquisitivo acima da média,
que correspondem por norma a pessoas de classe alta e/ou média-alta
e que normalmente são óptima companhia dado que
têm um nível cultural elevado.
PS
- A seu ver quais são as principais funções
das acompanhantes e dos clientes? Há obrigações
ou simplesmente ética de parte a parte?
VM
- Essa questão é muito pertinente. Sei que há
colegas que se centram na vertente comercial, mesmo inconscientemente.
Quer queiram quer não, essa atitude passa para o cliente.
Penso que nos devemos “centrar” no cliente, como
pessoa, com certo tipo de necessidades por satisfazer (sexuais
ou não). Refiro-me a necessidades afectivas, emocionais,
de companheirismo, de apoio moral. A
escort deve tratar o cliente com dedicação, respeito,
lealdade, sem ser por obrigação, ou mera ética.
Ou seja o atendimento ideal vai para além da obrigação
e da ética. Deve ser prazeiroso para ambos.
Da parte do cliente deve haver a
percepção de que procurou um serviço muito
específico, que entra na esfera da intimidade, e, como
tal, deve tratar a escort com cordialidade, respeito, confiança.
Penso que tudo isto transcende normas e regras e que deveria
ser apanágio de qualquer profissão que toca na
esfera íntima da pessoa.
PS
- Muitas vezes vemos uma profissional do sexo fazer a sua apresentação
como 'acompanhante de luxo'. Acha que essa definição
se encontra demasiado banalizada? O que é uma verdadeira
acompanhante de luxo?
VM
- Infelizmente essa definição está banalizada
ou mal utilizada. Não basta um corpo escultural para
ser considerada uma “acompanhante de luxo”. Se fosse
esse o critério até eu estaria excluída
já que sou baixa. Penso que há requisitos obrigatórios
para que uma acompanhante se considere honestamente “de
luxo”.
Tem de saber estar em qualquer situação
(jantares mais ou menos formais, eventos sociais, festas…).
Para tal tem de conhecer alguns códigos de etiqueta,
ter uma boa cultura geral, uma boa presença, ser boa
comunicadora, simpática. Isto obriga a uma permanente
actualização sobre temas da actualidade e não
só para que possa opinar de forma fundamentada. E…
sejamos realistas tem de ser uma belíssima amante. Sensual,
quente, provocadora e… diferente!
É claro que haverá
muitas colegas com estes requisitos, mas também há
quem não os tenha e se considere acompanhante de luxo.
Penso que o mais grave é que está a ser desonesta
consigo própria e o resto vem por arrastamento. Perdoem-me
a frontalidade.
Percebo perfeitamente que o façam para justificar os
preços. Mas pode tornar-se difícil para o cliente
escolher uma “acompanhante de luxo”, na real acepção
da palavra.
PS
- Acompanhamento vs Prostituição. Existe diferença
ou cabe tudo na mesma definição?
VM
- A acompanhante é toda aquela que faz companhia, o que
é muito lato, pressupondo companhia para toda e qualquer
actividade. Logo, pode ou não integrar relações
sexuais, se bem que duma forma geral sabemos que sim, mas o
termo acompanhante não encerra em si mesmo uma conotação
de relações íntimas apenas.
Já o termo prostituição
está associado a devassidão, vida desregrada,
desonra, desmoralização. A prostituta é
aquela que se prostitui, a rameira, meretriz. Isto segundo o
dicionário. Noutras palavras, a que oferece sexo em troca
de dinheiro.
Proponho agora o seguinte raciocínio.
Que chamaremos às senhoras de sociedade, que nada fazem
além de serem esposas amantíssimas de seus adorados
maridos e são sustentadas por estes? E que para se distraírem
têm os seus amantes também sustentados com o dinheiro
do dito cujo (esposo)?
Quem é a prostituta? A que
vende (ou aluga, como diz a Paula Lee no seu livro - termo com
o qual concordo mais) o seu corpo de forma assumida ou a “dondoca”
dama de sociedade que referi? Esta fica no ar…
PS
- Como podem as profissionais do sexo tornarem a sua imagem
mais digna aos olhos da sociedade?
VM
- Essa é difícil. Sabemos que nalguns países
esta actividade é encarada como outra qualquer actividade
profissional, protegida e apoiada pelo Estado. Em Portugal existe
um passado histórico, cultural e religioso que não
permite a aceitação da actividade, pelo menos
a curto prazo.
As mentalidades são muito
resistentes à mudança, logo esse processo vai
ser gradual e lento. Nós, escorts, podemos intervir de
forma activa para desmistificar a actividade e darmos-lhe outra
imagem. Deveria ser encarada como outra actividade do sector
terciário - Prestação de Serviços.
Mas é algo delicado, sensível, porque mexe com
o poder político, social e religioso. Por isso temos
a obrigação de intervir de forma activa, positiva,
esclarecedora e sem estigmas. E, através do nosso trabalho,
provar que somos dignas, respeitamos o próximo, temos
princípios morais sólidos, e, como tal, exigimos
o mesmo tipo de retorno.
PS
- Cada vez mais vemos aparecerem sites e blogs de acompanhantes.
Cada vez mais se nota num cuidado na forma de comunicar de uma
acompanhante. Em que medida é importante, hoje em dia,
um marketing dentro do sector?
VM
- O Marketing é importante em tudo. Neste caso estamos
a falar da vertente comunicação. A imagem é
o primeiro impacto que se percepciona. É o que a mente
vai reter no seu registo de memória. Esta imagem pode
ser mais ou menos atractiva e levar ao contacto, ou não,
do potencial cliente. Daí a preocupação
crescente com a qualidade da fotografia, da produção
e toda a envolvente de promoção e divulgação.
Mas há que distinguir o Marketing
dos sites que anunciam do Marketing das anunciantes propriamente
ditas. São universos distintos. No entanto, a anunciante
pode e deve aproveitar a sinergia destas estratégias
de Marketing, não só para divulgar, mas também
para promover a sua diferenciação como escort.
Outro aspecto é o da selecção
dos sites em que anunciamos. Devemos ter essa capacidade. Porque
quer queiramos ou não, o próprio site cria também
uma determinada imagem, notoriedade e reputação
que nos podem ou não ser favoráveis.
Neste momento estou a anunciar apenas
no PrazerSublime e ainda não senti necessidade de anunciar
noutros sites, pelo menos por enquanto.
PS
- 'Sou uma acompanhante profissional. Os valores apresentados
serão exclusivamente devidos ao meu tempo de companhia!'
Qual a mensagem que uma escort quer transmitir com esta informação?
VM
- Simples! Significa que se o cliente quiser beber um café
connosco, paga esse tempo de companhia! Se quiser contemplar-nos
durante uma hora, impávido e sereno, também nos
paga! Relaciona-se com tudo o que já referi atrás
e que tem a ver com o que é ser acompanhante.
Por vezes questionam-me se poderei,
ou não, tomar um cafézinho para só depois
decidirem se realmente querem estar comigo ou não. Alegam
que não me conhecem e não sabem se vai haver empatia
para um encontro mais íntimo…etc…etc…
Claro que, se estiver disponível, aceito e até
acho legítimo! No entanto, termino, acrescentando - “como
sabe o que é pago é o meu tempo de companhia!”
O cliente
fica meio embaraçado, pois supunha que só iria
pagar o tal cafezinho…
Contei este episódio, para que, os clientes que consultam
o PrazerSublime, não se esqueçam de ler a tal
mensagem bem explícita, a qual, nós escorts que
lá anunciamos subscrevemos integralmente.
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