EDITORIAL by Paula Lee

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Vera Morgado

Vera Morgado é acompanhante independente e conta aqui a sua vivência como escort e como mulher ao longo destes últimos anos. Deixa-nos também a sua impressão sobre o sector e forma de estar nele. Uma entrevista para pensar...

PRAZER SUBLLIME - Já é acompanhante há algum tempo. Como tem sido a sua evolução ao longo dos anos dentro do sector não só como escort mas também como mulher? De que modo a Vera Morgado acompanhante e a Vera Morgado mulher se encontram?

VERA MORGADO - Bem, de facto sou acompanhante há algum tempo, não muito. Desde 2005. Comecei por razões meramente financeiras. Fi-lo de forma não planeada, sem conhecimento do sector, como fazer e agir com os clientes. No entanto, a nossa vivência e poder de observação permitem que ultrapassemos certas situações, que à priori poderiam parecer muito difíceis.

À medida que fui ganhando experiência com a actividade e melhor relacionamento com os clientes, achei que poderia usufruir não só a nível monetário, como também de prazer físico. Aquilo que tinha interiorizado como um estigma, de que a acompanhante não sentia qualquer prazer no desempenho da sua função nuclear, foi-se desvanecendo à medida que me apercebia que tinha muito prazer com muitos dos meus clientes. Isso proporcionou uma desmistificação desse preconceito. Esse entendimento fez com que mudasse de atitude face à actividade em si e na forma como fui melhorando o atendimento dos clientes.

Houve assim uma evolução positiva, de facto, pois o meu atendimento tornou-se mais personalizado, com maior entrega, cumplicidade e autenticidade. Geram-se laços afectivos de facto, pelo menos com os clientes mais regulares e com quem sinto maiores afinidades. Por outro lado, vi-me na obrigação de investigar sobre matérias relacionadas com relações humanas duma forma geral. Só assim podemos ter consciência profunda deste trabalho, pois envolve vertentes muito complexas e subjectivas do ser humano. Consequentemente, a minha evolução como mulher tem andado em paralelo com a evolução como escort.

E, sim, a Vera mulher ou a Vera escort são uma e a mesma pessoa. Sou genuína, não tenho de fingir, até porque não dependo de nenhum cliente em particular e só atendo quem eu decidir atender! Não faço sacrifícios. Se fizesse, poria em risco a qualidade do serviço que presto. E, tento ser sempre muito profissional. É o mínimo que os clientes merecem, dado que também escolheram a nossa companhia e isso tem de ser compensado por nós, escorts.


PS - Temos a mulher perfeitamente integrada dentro da sociedade, com família, amigos, etc e a mulher acompanhante. Existem diferenças entre as duas, encarna uma personagem ou a Vera Morgado faz parte integrante de si e vice-versa?

VM - Sim, de facto tenho uma profissão principal que não só a de escort. Tenho família, amigos, colegas de trabalho, apesar de viver sozinha. Estou realmente integrada na sociedade, na sua forma mais tradicional, emprego fixo “reconhecido” como válido para a sociedade, portanto. Essa é a parte visível e aceite. Depois sou escort, sendo um aspecto não exposto perante a sociedade em geral, sob pena de ficar sem família, amigos, emprego e estigmatizada para o resto da vida.

A Vera Morgado é uma única mulher, mas com diversas actividades, facetas, vertentes. Como todos nós. Ninguém é apenas uma coisa ou outra. Somos um “produto” resultante de diferentes factores, em constante evolução e aprendizagem. Construímos e reconstruímos diariamente a realidade, segundo a percepção que vamos tendo dela.

O que faço é muito simples. Quando estou no meu emprego”oficial”, tento fazê-lo da melhor forma que sei, assumindo a postura adequada à função que desempenho. O mesmo acontece quando faço o trabalho de escort. Não só com muito profissionalismo, mas também com o meu cunho pessoal, e, esse é só meu. Qualquer mulher que trabalha também é dona de casa, esposa (quando é caso disso), mãe… e não é por isso que tem de encarnar personagens ou fingir!

Logo, sou eu própria a exercer uma actividade com certas especificidades, nomeadamente o recurso ao próprio corpo, mas não só. Isso não faz de mim uma mulher menos autêntica ou genuína!


PS - Onde se enquadra a Vera Morgado quer em temos profissionais quer em tipo de clientes?

VM - Pois, lá está… quando iniciei a actividade nem sequer tinha consciência da forma como me enquadrava no sector. Foi tudo muito amador, empírico. Comecei a ver sites, cheguei a ter o meu próprio site e fui ganhando uma certa sensibilização e familiarização com o sector. Cheguei à conclusão que teria de me focar num target e definir o meu posicionamento no sector. Defini aquilo que se podem chamar de variáveis estratégicas (serviço/preço/comunicação/localização) a partir do posicionamento que pretendia. Assim, estou enquadrada no que se chama vulgarmente de “acompanhantes de luxo”.

Este enquadramento é, no entanto fundamentado por todo um background que encerro, quer a nível de formação académica (superior), quer de formação de base, que complementados com alguns dotes físicos e com o facto de desempenhar esta função com elevada performance (boa amante mesmo) porque assumo plenamente que gosto de sexo.

Claro que estes factores exigem um plafond mínimo de preços, pelo que os meus clientes são cavalheiros com poder aquisitivo acima da média, que correspondem por norma a pessoas de classe alta e/ou média-alta e que normalmente são óptima companhia dado que têm um nível cultural elevado.


PS - A seu ver quais são as principais funções das acompanhantes e dos clientes? Há obrigações ou simplesmente ética de parte a parte?

VM - Essa questão é muito pertinente. Sei que há colegas que se centram na vertente comercial, mesmo inconscientemente. Quer queiram quer não, essa atitude passa para o cliente. Penso que nos devemos “centrar” no cliente, como pessoa, com certo tipo de necessidades por satisfazer (sexuais ou não). Refiro-me a necessidades afectivas, emocionais, de companheirismo, de apoio moral. A escort deve tratar o cliente com dedicação, respeito, lealdade, sem ser por obrigação, ou mera ética. Ou seja o atendimento ideal vai para além da obrigação e da ética. Deve ser prazeiroso para ambos.

Da parte do cliente deve haver a percepção de que procurou um serviço muito específico, que entra na esfera da intimidade, e, como tal, deve tratar a escort com cordialidade, respeito, confiança. Penso que tudo isto transcende normas e regras e que deveria ser apanágio de qualquer profissão que toca na esfera íntima da pessoa.


PS - Muitas vezes vemos uma profissional do sexo fazer a sua apresentação como 'acompanhante de luxo'. Acha que essa definição se encontra demasiado banalizada? O que é uma verdadeira acompanhante de luxo?

VM - Infelizmente essa definição está banalizada ou mal utilizada. Não basta um corpo escultural para ser considerada uma “acompanhante de luxo”. Se fosse esse o critério até eu estaria excluída já que sou baixa. Penso que há requisitos obrigatórios para que uma acompanhante se considere honestamente “de luxo”.

Tem de saber estar em qualquer situação (jantares mais ou menos formais, eventos sociais, festas…). Para tal tem de conhecer alguns códigos de etiqueta, ter uma boa cultura geral, uma boa presença, ser boa comunicadora, simpática. Isto obriga a uma permanente actualização sobre temas da actualidade e não só para que possa opinar de forma fundamentada. E… sejamos realistas tem de ser uma belíssima amante. Sensual, quente, provocadora e… diferente!

É claro que haverá muitas colegas com estes requisitos, mas também há quem não os tenha e se considere acompanhante de luxo. Penso que o mais grave é que está a ser desonesta consigo própria e o resto vem por arrastamento. Perdoem-me a frontalidade.
Percebo perfeitamente que o façam para justificar os preços. Mas pode tornar-se difícil para o cliente escolher uma “acompanhante de luxo”, na real acepção da palavra.


PS - Acompanhamento vs Prostituição. Existe diferença ou cabe tudo na mesma definição?

VM - A acompanhante é toda aquela que faz companhia, o que é muito lato, pressupondo companhia para toda e qualquer actividade. Logo, pode ou não integrar relações sexuais, se bem que duma forma geral sabemos que sim, mas o termo acompanhante não encerra em si mesmo uma conotação de relações íntimas apenas.

Já o termo prostituição está associado a devassidão, vida desregrada, desonra, desmoralização. A prostituta é aquela que se prostitui, a rameira, meretriz. Isto segundo o dicionário. Noutras palavras, a que oferece sexo em troca de dinheiro.

Proponho agora o seguinte raciocínio. Que chamaremos às senhoras de sociedade, que nada fazem além de serem esposas amantíssimas de seus adorados maridos e são sustentadas por estes? E que para se distraírem têm os seus amantes também sustentados com o dinheiro do dito cujo (esposo)?

Quem é a prostituta? A que vende (ou aluga, como diz a Paula Lee no seu livro - termo com o qual concordo mais) o seu corpo de forma assumida ou a “dondoca” dama de sociedade que referi? Esta fica no ar…


PS - Como podem as profissionais do sexo tornarem a sua imagem mais digna aos olhos da sociedade?

VM - Essa é difícil. Sabemos que nalguns países esta actividade é encarada como outra qualquer actividade profissional, protegida e apoiada pelo Estado. Em Portugal existe um passado histórico, cultural e religioso que não permite a aceitação da actividade, pelo menos a curto prazo.

As mentalidades são muito resistentes à mudança, logo esse processo vai ser gradual e lento. Nós, escorts, podemos intervir de forma activa para desmistificar a actividade e darmos-lhe outra imagem. Deveria ser encarada como outra actividade do sector terciário - Prestação de Serviços. Mas é algo delicado, sensível, porque mexe com o poder político, social e religioso. Por isso temos a obrigação de intervir de forma activa, positiva, esclarecedora e sem estigmas. E, através do nosso trabalho, provar que somos dignas, respeitamos o próximo, temos princípios morais sólidos, e, como tal, exigimos o mesmo tipo de retorno.


PS - Cada vez mais vemos aparecerem sites e blogs de acompanhantes. Cada vez mais se nota num cuidado na forma de comunicar de uma acompanhante. Em que medida é importante, hoje em dia, um marketing dentro do sector?

VM - O Marketing é importante em tudo. Neste caso estamos a falar da vertente comunicação. A imagem é o primeiro impacto que se percepciona. É o que a mente vai reter no seu registo de memória. Esta imagem pode ser mais ou menos atractiva e levar ao contacto, ou não, do potencial cliente. Daí a preocupação crescente com a qualidade da fotografia, da produção e toda a envolvente de promoção e divulgação.

Mas há que distinguir o Marketing dos sites que anunciam do Marketing das anunciantes propriamente ditas. São universos distintos. No entanto, a anunciante pode e deve aproveitar a sinergia destas estratégias de Marketing, não só para divulgar, mas também para promover a sua diferenciação como escort.

Outro aspecto é o da selecção dos sites em que anunciamos. Devemos ter essa capacidade. Porque quer queiramos ou não, o próprio site cria também uma determinada imagem, notoriedade e reputação que nos podem ou não ser favoráveis.

Neste momento estou a anunciar apenas no PrazerSublime e ainda não senti necessidade de anunciar noutros sites, pelo menos por enquanto.


PS - 'Sou uma acompanhante profissional. Os valores apresentados serão exclusivamente devidos ao meu tempo de companhia!' Qual a mensagem que uma escort quer transmitir com esta informação?

VM - Simples! Significa que se o cliente quiser beber um café connosco, paga esse tempo de companhia! Se quiser contemplar-nos durante uma hora, impávido e sereno, também nos paga! Relaciona-se com tudo o que já referi atrás e que tem a ver com o que é ser acompanhante.

Por vezes questionam-me se poderei, ou não, tomar um cafézinho para só depois decidirem se realmente querem estar comigo ou não. Alegam que não me conhecem e não sabem se vai haver empatia para um encontro mais íntimo…etc…etc… Claro que, se estiver disponível, aceito e até acho legítimo! No entanto, termino, acrescentando - “como sabe o que é pago é o meu tempo de companhia!”

O cliente fica meio embaraçado, pois supunha que só iria pagar o tal cafezinho…
Contei este episódio, para que, os clientes que consultam o PrazerSublime, não se esqueçam de ler a tal mensagem bem explícita, a qual, nós escorts que lá anunciamos subscrevemos integralmente.

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